25 julho, 2006

Poeta, o “bufão de costume”

Os poemas têm que ter alguma inserção no mundo, precisam participar do movimento da nossa existência, e não podem ser esses elementos decorativos que têm sido esses poemas ridículos da nossa triste atualidade.

Ninguém que eu conheço, gente que vive a vida como ela é, lê essas bobagens anêmicas que têm sido publicadas em revistas como Sibila, Inimigo Rumor, Oroboro, também a Babel e tantas outras.

Concordo inteiramente com as colocações do poeta Ronald Augusto, ao criticar os poemas de Tarso de Melo (e por extensão grande parte da poesia atual no Brasil), ao considerar tal escrita o “círculo vicioso de auto-referências e auto-reconhecimentos, cujo resultado é essa sorte de submissão a um acordo tácito em torno do virtuosismo técnico, da erudição intertextual perdulária e sem razão de ser e da eficiência diluída em esnobismo.”

Ronald fala também sobre o papel do poeta, que “é, ou deveria ser, o transgressor incestuoso do idioma materno, [mas] ainda ocupa, apesar ou mesmo devido a sua excelente formação, o lugar do bufão de costume.”

5 comentários:

Cândido Rolim disse...

Valeu, Mauro! bom saber sua afiada retomada. e com referências de peso. um abração
Cândido Rolim.

ademir disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Ademir disse...

Mauro, espero que continue, insistentemente, tal como o Ronald, com o blog. Onde o Ronald publicou esse texto sobre o Tarso? Fiquei curioso em ler. Para ser mais eficiente em suas impressões, penso que seria interessante você gastar mais espaço comentando o que você gosta, do que perdendo energia na terra arrasada que parece ver. Você diz que é tudo bobabem anêmica o que se vê, mas não há nada em contrário? o que se salva? - logicamente sob o seu ponto de vista, sua experiência de leitor. Não falo apenas dos contemporâneos, falo de qualquer tempo. Ronald encontra luz em Cruz e Sousa, p. ex. - e você? Uma resposta como essa, proliferante, na medida das tuas leituras, seria uma troca interessante, de forma a não cair na própria vala que você critica, de "poeta bufão". Abraço, ademir

paulo de toledo disse...

oi, mauro.
bem interessantes as questões levantadas por você.
voltarei por aqui mais vezes.
abrações.

ronald augusto disse...

ademir, esse meu texto foi parar em www.clareira.naselva.com , confira. abraços